No passado fim de semana morreu José Saramago.
Quer se goste ou não de Saramago enquanto homem, como escritor foi e será um dos melhores escritores portugueses de sempre. O seu valor parece-me inquestionável assim como a importância que deu à cultura portuguesa e sua projecção no mundo.
Devo confessar que nunca li nenhum livro deste autor, mas fiz questão de ainda muito novo comprar uma edição de "A Jangada de Pedra" para oferecer à minha mãe. Tinha a ideia de estar a oferecer não apenas um livro, mas um tesouro nacional... claro que hoje percebo que a tiragem da minha mãe tem milhares de exemplares e de facto era só mesmo um livro. Mas falo nisso para ilustrar o fascínio que existia, ou pelo menos para mim existe, em possuir livros de um escritor controverso, pertinente e de um valor nacional tão grande.
Apesar de ainda não o ter feito neste texto, deixem-me dizer-vos que não gostava de José Saramago e continuo com a mesma opinião porque essa história de que quando as pessoas morrem passarem a "ai ele era tão bonzinho... que pena, gostava muito dele." isso é tanga.
Não gostava de Saramago por ele do nada aparecer com uma espanhola e com ela adoptar também a postura que só o facto de viver fora de Portugal lhe conferia uma certa superioridade. Na sua "luta" contra dogmas da igreja e certos valores da sociedade, tirando a parte de com isso gerar golpes publicitários para vendas, até lhe achava alguma piada.
A introdução deste artigo foi extensa para fazer uma reflexão à morte do escritor, mas o que me traz aqui é de maneira inequívoca, isolar Cavaco Silva e da sua não comparência nas cerimonias fúnebres de José Saramago. Porque é que Cavaco Silva não foi? Portugal entrou em guerra com outra nação e ele estava preocupado em criar bases de conversação para evitar o pior? Não. Cavaco estava a representar o país numa qualquer visita às comunidades Portuguesas por esse mundo fora? Não. Cavaco Silva estaria a comprar um bolo rei e demorou mais tempo a contar os trocos? Não.
Estava numas mini-férias.
É verdade... o Presidente da Republica foi de férias até aos Açores e parecendo que não... mesmo sendo a morte de um prémio Nobel, vir de propósito a Lisboa e ainda por cima a um velório... é uma coisa chata.
Então o Presidente da República não é suposto marcar presença em representação de todos os Portugueses?! E não vai porque está de férias?! Correcção, não vai porque está numas mini-férias nos Açores.
Eu não votei em Cavaco Silva. Hoje tenho ainda mais razão para o admitir com orgulho!
Cavaco Silva é uma vergonha... eu como Português tenho de o aceitar como Presidente de Portugal, sobre isso não há nada a fazer. Mas para este senhor, deixo dois desejos que espero sinceramente ver realizados.
Primeiro, que seja o primeiro Presidente a não garantir dois mandatos e receber já a guia de marcha para viver das suas múltiplas reformas... em seguida, visto não faltar muito tempo, espero que no seu enterro marquem presença ainda menos pessoas... para não dizer ninguém mesmo.
