6.21.2010

Saramago

No passado fim de semana morreu José Saramago.
Quer se goste ou não de Saramago enquanto homem, como escritor foi e será um dos melhores escritores portugueses de sempre. O seu valor parece-me inquestionável assim como a importância que deu à cultura portuguesa e sua projecção no mundo.
Devo confessar que nunca li nenhum livro deste autor, mas fiz questão de ainda muito novo comprar uma edição de "A Jangada de Pedra" para oferecer à minha mãe. Tinha a ideia de estar a oferecer não apenas um livro, mas um tesouro nacional... claro que hoje percebo que a tiragem da minha mãe tem milhares de exemplares e de facto era só mesmo um livro. Mas falo nisso para ilustrar o fascínio que existia, ou pelo menos para mim existe, em possuir livros de um escritor controverso, pertinente e de um valor nacional tão grande.
Apesar de ainda não o ter feito neste texto, deixem-me dizer-vos que não gostava de José Saramago e continuo com a mesma opinião porque essa história de que quando as pessoas morrem passarem a "ai ele era tão bonzinho... que pena, gostava muito dele." isso é tanga.
Não gostava de Saramago por ele do nada aparecer com uma espanhola e com ela adoptar também a postura que só o facto de viver fora de Portugal lhe conferia uma certa superioridade. Na sua "luta" contra dogmas da igreja e certos valores da sociedade, tirando a parte de com isso gerar golpes publicitários para vendas, até lhe achava alguma piada.
A introdução deste artigo foi extensa para fazer uma reflexão à morte do escritor, mas o que me traz aqui é de maneira inequívoca, isolar Cavaco Silva e da sua não comparência nas cerimonias fúnebres de José Saramago. Porque é que Cavaco Silva não foi? Portugal entrou em guerra com outra nação e ele estava preocupado em criar bases de conversação para evitar o pior? Não. Cavaco estava a representar o país numa qualquer visita às comunidades Portuguesas por esse mundo fora? Não. Cavaco Silva estaria a comprar um bolo rei e demorou mais tempo a contar os trocos? Não.
Estava numas mini-férias.
É verdade... o Presidente da Republica foi de férias até aos Açores e parecendo que não... mesmo sendo a morte de um prémio Nobel, vir de propósito a Lisboa e ainda por cima a um velório... é uma coisa chata.
Então o Presidente da República não é suposto marcar presença em representação de todos os Portugueses?! E não vai porque está de férias?! Correcção, não vai porque está numas mini-férias nos Açores.
Eu não votei em Cavaco Silva. Hoje tenho ainda mais razão para o admitir com orgulho!
Cavaco Silva é uma vergonha... eu como Português tenho de o aceitar como Presidente de Portugal, sobre isso não há nada a fazer. Mas para este senhor, deixo dois desejos que espero sinceramente ver realizados.
Primeiro, que seja o primeiro Presidente a não garantir dois mandatos e receber já a guia de marcha para viver das suas múltiplas reformas... em seguida, visto não faltar muito tempo, espero que no seu enterro marquem presença ainda menos pessoas... para não dizer ninguém mesmo.

3 comentários:

Anónimo disse...

Fortissimo!!!
Eu só quero dizer-te que gostava de Saramago, que o encontreio numa Feira do Livro e que ele foi muito simpático para mim. Tanto que até me fez uma dedicatória personalizada... em "Levantados do chão". E quero dizer-te que já li livro deles (só 3) e que são poderosos e é preciso ter disposição, mas vale a pena, fazem-nos pensar, e pensar e pensar...

dina disse...

Lembro-me de ter lido Saramago, escrevia sem pontuação diziam os catedráticos, estranho e pouco clássico havia quem ficasse cansado de ler já que não tinha vírgulas para respirar, gostei imenso do 1º livro q li, "Memorial do Convento" edição de 1983 era de facto uma prosa acessível que por vezes parecia uma história contada com letras mas não será isso uma boa escrita? as personagens dos seus livros ficam nossos amigos, não julgo comportamentos mas de facto quando temos um escritor que ajuda a respeitar a nossa cultura e a divulga mundialmente, o nosso representante máximo não pode ficar em casa

Anónimo disse...

Acho que o cavaco fez muito bem em não ir ao funeral do Saramago. porquê, porque devido ao passado que os separava manteve se fiel a si mesmo e não foi hipócrita ao ponto de ir ao funeral de uma pessoa de que não gostava e como tinha acabado de morrer já era bonzinho. Em suma foi um bocadinho saramaguiano, sempre frontal e sem medo de dizer e fazer o que de facto pensava, e sem medo das consequências.